Sábado, 25 de Abril de 2009

O título da crónica da semana passada era “A Crise chegou à Ficção Televisiva? Reagir com Humor”. Um erro de paginação fez com que os três parágrafos finais desaparecessem. Quem leu ficou sem perceber o meu ponto e, sobretudo, que raio é que eu queria dizer com “reagir com humor”.
Reagindo com humor, vou repetir o final da crónica acrescentando que o acaso desse final não ter sido publicado não só me permite destacá-lo ainda mais como me permite fazer metade da crónica seguinte.
A propósito da anunciada crise geral e da possível crise da produção de ficção audiovisual americana e da continuada ausência de produção portuguesa, excepção feita às telenovelas, faltava-me dizer que: “há um género de ficção que, desde sempre em Portugal, concilia o baixo custo com a captação de públicos e a criação de conteúdos personalizados e originais: os programas de humor.
Se pensarmos na história da televisão portuguesa, da produção nacional, o que fica na memória das pessoas são, com grande probabilidade, muitos programas de humor. Dos mais populares aos de culto.
Não seria esse um caminho para a SIC reencontrar uma identidade e criar uma diferenciação da TVI? É só uma ideia.”
E aqui sim, acabava a minha crónica da semana passada.
Esta semana quero falar de um tema completamente diferente, os programas de humor na televisão.
Deixando de parte os casos de humorismo involuntário, que são cada vez mais, há uma presença cada vez maior do humor e dos humoristas não só na televisão mas na comunicação social e na opinião pública.
É uma tendência internacional, como sempre particularmente americana, que está a chegar cá. É relevante, por exemplo, que um comediante como John Stewart, apresentador do The Daily Show, tenha sido considerado um dos jornalistas mais influentes do pais, apesar dele próprio recusar ser visto como tal. A verdade é que o The Daily Show, tal como por exemplo o The Colbert Report ou, num género mais popular, as emissões recentes do Saturday Night Live, com a brilhante imitação de Sarah Palin por Tina Fey, acabaram por ter mais impacto do que o de muitos comentadores políticos tradicionais. Mesmo com audiências relativamente discretas o The Daily Show, por ser visto por jovens e elites, tem um peso decisivo na opinião pública americana.
Em Portugal esta tendência vai chegando e, não é difícil de prever, vai acentuar-se em 2009. Primeiro, porque há uma nova geração de humoristas, autores e actores, que é interventiva, opinativa e começa a ser relevante, visto que tem presença - na televisão, na rádio, na net e nos jornais, e gera comunidade. Segundo, porque não há nada melhor para o humor do que um ano de crise com três eleições. A partir daqui pode desaparecer o resto do texto.

 

(Crónica publicada dia 27 de Dezembro de 2008 no Semanário Económico).

 

 

 



Nuno Artur Silva às 05:06 | link do post

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