Domingo, 14 de Junho de 2009

Hoje, dia 13 de Junho, dia de Santo António e dia de Fernando Pessoa, dia de Lisboa, só quero aqui deixar o rascunho de uma ideia para a minha cidade.
É só uma ideia ou o rabisco dela, nem sequer muito original, mas feita do cruzamento e da sobreposição de outras ideias, das muitas que nestes anos têm circulado nos fóruns e grupos de discussão mais especializados ou mais abertos a todos.
Ideias como por exemplo a de transformar e desenvolver o Museu da Cidade, criando-lhe novos pólos de programação. Uma ideia que se cruza com o projecto de renovação do Terreiro do Paço. Historiadores e olissipógrafos, como José Sarmento de Matos, já defenderam a criação de um Centro de Interpretação da Baixa no Terreiro do Paço que poderia ser uma extensão do Museu da Cidade. Outra ideia defendida por Sarmento de Matos é, no mesmo local, um pólo expositivo da Lisboa do século XX. Há pouco tempo, aliás, esteve em exibição no Pátio da Galé, no Terreiro do Paço, uma exposição sobre a Lisboa Pombalina. Muitas outras variantes expositivas podiam ser pensadas, como por exemplo, uma a partir de Francisco de Holanda e do seu livro “Da fábrica que falece à cidade de Lisboa”, do século XVI, escrito após o seu regresso de Itália e do convívio com Miguel Ângelo, onde ele expunha as suas visões urbanísticas de Lisboa, que nunca se chegaram a concretizar.
Todas estas possíveis exposições da história de Lisboa deveriam integrar o urgente desenvolvimento e valorização do Museu da Cidade.
Sendo o Terreiro do Paço o lugar simbólico do poder e o centro da cidade, não há sítio mais indicado para um novo pólo do Museu da Cidade do que esse. A minha ideia parte daí. O que eu defendo é a criação de um pólo programático no Terreiro do Paço mas que não seja apenas a exposição da história da cidade. Para além da História, a cidade é feita das histórias, das estórias e das imagens. Ou seja, numa concepção mais aberta e contemporânea de Museu, o que poderia acontecer no Terreiro do Paço era a criação do Museu do Imaginário de Lisboa. Um sítio que acolhesse todas as visões, fantasias, delírios sobre Lisboa, à volta de Lisboa, passados em Lisboa. Um sítio que celebrasse Lisboa como inspiração de filmes, livros, projectos, etc. O próprio museu, mais do que ser um percurso expositivo permanente, deve ser um permanente programador de exposições, filmes e acontecimentos. Um museu in progress, sempre em construção. Sítio obrigatório de passagem de todos os lisboetas e todos os turistas. Um museu no centro da Baixa que deixasse as pistas para os outros percursos de Lisboa.
Não é um posto de informação turística mas é o seu equivalente cultural. Deve ser o aleph da cidade de Lisboa. O sítio onde se pode ver as pistas para as mil e uma Lisboas.
Se o Terreiro do Paço é o centro simbólico do poder não há maior poder na sociedade contemporânea do que o das ideias e da criatividade. Não há melhor sítio para um museu das imagens e da imaginação de Lisboa.

 

(Crónica publicada dia 13 de Junho de 2009 no Semanário Económico).



Nuno Artur Silva às 09:56 | link do post

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