Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

Muito antes de começar a escrever sketches para programas humorísticos, muito antes de trabalhar para televisão, comecei por ler poemas em público, em espectáculos ou recitais. A minha estreia foi com 17 anos num espectáculo de poesia surrealista portuguesa, integrado no grupo Mandrágora. O primeiro recital foi à volta da poesia  de Pedro Oom, depois fizemos uma incursão no Frankenstein da Mary Shelley, via versão do The Living Theatre. O terceiro e último recital chamava-se Estrela de Sete Pontas e era a partir da poesia de António Maria Lisboa. Quando começámos, estávamos em 1979, no imediato pós-PREC e eu era um vago anarca, por afinidade poética. Desse tempo só sobrou (felizmente, digo eu) fotografias como esta.

 

À esquerda sou eu e à direita é o Fernando Vendrell, que agora é realizador e produtor de cinema.

 

A verdade é que nunca deixei de fazer experiências de leituras de poemas, ou de textos que não são poemas, em voz alta, misturando-os com projecções de imagens, com música, mais ou menos encenados, com actores, poetas, músicos, artistas...

 

Guardo boa memória deste que fiz com a Alexandra Lencastre e a Anabela Duarte, integrado no Marcía, que organizei com o Hermínio Monteiro da Assírio e Alvim, no final dos anos 80.

 

 

Outro projecto que gostei especialmente de fazer foi o dos Nocturnos, durante três Verões no início dos anos 90, no Jardim Botânico de Lisboa. Sei que tenho fotografias mas não sei onde, espero encontrá-las e fazer uma nota sobre esse projecto.

 

Para além dos recitais ao vivo, fiz par a RTP, com o Hermínio Monteiro e a Margarida Gil, o projecto Instantes, em 1996. Foi um primeiro esboço do Voz, que fizemos, as PF com os Até ao Fim do Mundo, em 2004 e de que tenho dado conta nestas notas.

Aqui fica o primeiro clip que gravámos do Voz, na voz do João Reis. O poema é de João Roiz de Castelo-Branco, século XV, a música é dos Radiohead, século XX para XXI.

 


Mais recentemente montámos o Isto Não É um Recital de Poesia, com o qual fizemos uma pequena digressão. Um dos poemas que líamos era precisamente o "Senhora partem tam tristes", dessa vez com uma base musical de hip hop.
A equipa incluía, para além de mim, o Kalaf, o Rogério Samora, a Sílvia Pfeifer e o António Jorge Gonçalves, que fazia projecção e desenho em tempo real.

 

 

Agora estamos a ensaiar Recital e Tal. Um recital a partir da antologia de textos de humor que eu e a Inês Fonseca Santos fizemos para a Texto Editora. Os actores são o Miguel Guilherme, a Rita Blanco e o Diogo Dória, e o Recital e Tal vai ter a sua estreia no Festival ao Largo, no dia 17 de Julho, às 22 horas, no Largo do São Carlos.
Comecei também esta semana os ensaios de um outro projecto de recital, completamente diferente, desta vez para estrear no âmbito da Experimenta Design 2009. A equipa inclui os actores Marco de Almeida, Rui Morisson e Sandra Celas, novamente o António Jorge Gonçalves e o Armando Teixeira, que vai fazer a música. Vai ter o título "As Passagens do Tempo" e parte de textos desse meu livro, mas não só.


Arquivado em:

Nuno Artur Silva às 15:51 | link do post | comentar

1 comentário:
De OMal a 24 de Outubro de 2010 às 14:36
Paga o que me deves , cabrão!


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