Terça-feira, 4 de Agosto de 2009

Uma década antes dos programas de televisão fazíamos sketches de teatro. Estas fotografias são de 1986, da peça O Subsídio. Comigo estão o Miguel Mallaguerra, que hoje é arquitecto, a Teresa Conceição, que é jornalista da SIC, e o João Brito, de quem perdi o rasto mas julgo que ainda é professor.

 

 

Na peça entravam também o José de Pina e o Rui Cardoso Martins, que alternavam no papel de funcionário do Ministério da Cultura. Era a história de um anónimo cidadão solitário, espectador de televisão, que um dia recebe a visita de um funcionário do Ministério da Cultura, a dizer que teve subsídio para fazer uma peça de teatro. A cena inicial era um pastiche de O Processo, de Kafka, depois desdobrava-se por uma sequência de sketches em que o personagem principal, confrontado com a inevitabilidade de fazer a peça, contratava os serviços de uma trupe de actores falhados. Entre eles eu próprio, a fazer mal um papel que me calhava bem, precisamente o papel de mau actor.

 

 

Um dos sketches era sobre um realizador que fez um filme sem imagens, em branco, e o defendia numa entrevista. O que acabou por ser uma curiosa premonição da obra ao negro do César Monteiro.

Não havia canais cabo, nem net, e era nos teatros que nós, com o cenário às costas, íamos fazendo os nossos primeiros esboços dos programas de televisão que gostaríamos de fazer. Foi o embrião das Produções Fictícias.

Para quem tiver curiosidade, a Inês Fonseca Santos teve a paciência de recolher as histórias e as contar no livro "Produções Fictícias - 13 anos de insucessos", da Oficina do Livro.

 

 


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Nuno Artur Silva às 10:16 | link do post | comentar

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