Segunda-feira, 27 de Julho de 2009

O título é a frase que o Ministro da Informação do Iraque repetia aos jornalistas para desmentir que os tanques americanos estivessem a entrar em Bagdad.
Um relatório feito por um rapaz de 15 anos sobre a relação dos teenagers com os media, tem causado grande agitação. No relatório, que foi publicado no The Guardian, Matthew Robson diz de uma maneira muito clara o que os mais atentos ao universo adolescente têm vindo a observar: os meios tradicionais, incluindo a televisão, estão a perder terreno em relação aos new media. Uma evidência, mas ele vai mais longe: os teenagers não lêem jornais porque se aborrecem, preferindo ver os sumários noticiosos na net ou na TV. Detestam os intervalos publicitários na TV e na net acham os pop ups e os banners “extremely annoying and pointless”. O marketing viral, contudo, se for humorístico, é bem aceite. A esmagadora maioria não compra CDs e faz downloads ilegais de música. O download de filmes só não é tão popular por questões de qualidade da imagem e o risco de vírus. Os teenagers não usam o Twitter porque sabem que ninguém vai ver o seu perfil. Preferem o Facebook. De maneira geral, comunicam uns com os outros via internet. Resumindo, o tempo e o dinheiro são sobretudo dedicados ao cinema, aos concertos e às consolas de jogos.
É claro que os media não se resumem aos adolescentes e que os adolescentes acabarão por se tornar adultos. Mas a relação desses adultos com os media não será como a que temos hoje.
Em Portugal não deixa de me causar perplexidade a forma inacreditavelmente lenta como, quer a legislação, quer o mercado, estão a reagir. Ainda há pouco tempo estávamos a discutir a licença para um 5º canal, quando a realidade da fibra óptica e da banda larga nos vai dar dezenas de novos canais. O financiamento público para o audiovisual em Portugal parece esgotar-se nos subsídios do ICA para o cinema, quando o mais excitante e criativo do que se está a fazer em audiovisual não está a passar-se no cinema tradicional. Continua a dar-se uma importância desmedida aos 4 canais generalistas de televisão, quando no seu conjunto eles perderam nos últimos anos mais de um milhão de espectadores e continuam a perder todos os dias. E quando, com honrosas excepções, os programas que estão no ar são programas de fluxo indiferenciado. A principal razão deste estado de coisas tem a ver com os decisores publicitários: as agências de publicidade, de meios e, em última análise, os directores de marketing, os anunciantes, que continuam a investir da mesma maneira que sempre investiram, ou seja, esbanjando enormes quantidades de dinheiro em acções de duvidosíssima eficácia, que vão celebrando nos incontáveis festivais de publicidade e afins, onde passam a vida a premiar-se uns aos outros.
Todos estes decisores fazem questão de informar pessoas como o jovem Robson que estão muito longe da realidade.
Devíamos estar mais atentos ao que está a mudar. Mas sobretudo devíamos estar a mudar.

 

Crónica publicada no Semanário Económico no dia 18 de Julho de 2009.



Nuno Artur Silva às 17:43 | link do post | comentar

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