Quarta-feira, 5 de Agosto de 2009

Bill Gates anunciou que fechou o seu perfil no Facebook quando percebeu que tinha dez mil pessoas a tentar adicioná-lo como amigo. “Aquilo dava demasiado trabalho por isso desisti”. Isto apesar da Microsoft ter adquirido uma pequena participação no capital do Facebook por uma fortuna. Não é só um fait divers, e podia ser um tema para esta crónica. Mas não é.
Notícia relevante é a união da Microsoft e da Yahoo para fazer face ao domínio da Google. Mas hoje também não é disso que eu quero falar. Nem da declaração de Hamburgo, na qual vários grupos europeus de media (incluindo portugueses) tomaram posição conjunta relativamente à protecção da propriedade intelectual no mundo digital. Nem da aposta da centenária livraria Barnes&Noble no mercado dos livros electrónicos. Nem do anúncio da parceria entre a PT e a SIC para criar um novo canal infantil. Nem da instabilidade das audiências dos canais generalistas no período do Verão. Nem da ausência de propostas inovadoras nos programas de governo conhecidos, na área dos media, dos conteúdos e da cultura. Nem da ausência de um debate aprofundado e estimulante sobre a nossa capital, substituído por retóricas politiqueiras e contabilísticas.
Nada disso.
Hoje, dia 1 de Agosto, não vou falar de nenhum destes temas e das considerações que eles me sugerem. À beira das férias, vou falar de poesia.
Desde a minha adolescência que me habituei a levar na mala de férias livros diversos. De entre esses múltiplos livros sempre gostei de ler poesia, embora com o tempo tenha vindo a perceber que a poesia não está necessariamente nos livros ditos de poesia ou de poemas. Ela pode estar onde menos esperamos: ao virar de uma página de um romance, numa letra duma canção, num graffiti na parede, numa conversa ouvida ao acaso ou numa notícia de jornal.
Mas se há um género artístico em que a cultura portuguesa se distingue particularmente ele é, sem dúvida, a poesia. Uma simples enumeração dos nomes dos maiores poetas do século XX português confirma com tal evidência o que digo que me dispenso de a fazer.
Prefiro antes deixar-vos a sugestão e a referência de alguns versos e poetas que se inscreveram na minha memória.
De Carlos de Oliveira, “Estrela”, sem dúvida um dos mais belos poemas de amor da literatura portuguesa, que diz só: “Legenda / para aquela estrela / azul / e fria / que me apontaste / já de madrugada: / amar / é entristecer / sem corrompermos / nada. Ou a “Pluma Caprichosa” do Alexandre O’Neill. Ou Luiza Neto Jorge: “Não podendo falar para toda a terra / direi um segredo a um só ouvido”. Ou Manuel Gusmão: “aprende a falar – diz / a rosa: escreve de noite / e que o meu múltiplo sol / te guie inúmeros / os caminhos”. Ou Eugénio de Andrade. Ou Sophia.
E mil e um outros livros, cheios de versos, que descobri e continuarei a redescobrir, não só nesta época, mas sobretudo na mala das férias, ao acaso, na leitura preguiçosa dos poemas que vão deixando a sua poesia como o sal fica no corpo com os banhos de mar do Verão. Aqui fica, num jornal de economia, a sugestão de poesia. Até Setembro.


Crónica publicada no Semanário Económico no dia 1 de Agosto de 2009.

 



Nuno Artur Silva às 09:22 | link do post

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