Quinta-feira, 17 de Setembro de 2009

Num número recente da Wired um dos artigos centrais intitulava-se “Facebook vs.Google – a batalha pela rede” e falava da guerra que está a começar entre estes dois modelos de acesso à net e aos seus conteúdos. Simplificando: quando procuramos uma informação na rede vamos procurá-la via um motor de busca mais impessoal como o Google ou vamos procurá-la via uma rede de “amigos”? Para já, o Google é claramente dominador, como motor de busca, mas o Facebook está a ter um crescimento extraordinário e “ambiciona pôr a rede social dos seus utilizadores no centro do que eles fazem online”.
Esta disputa é, no fundo, uma actualização da forma como, nas nossas vidas do dia-a-dia, desde sempre, temos acedido à informação. Quando queremos saber sobre um livro, ou perguntamos aos nossos amigos ou consultamos a imprensa especializada e a literatura de referência.
A net reproduz o mesmo esquema. A questão é: qual o modelo que vai ganhar?
O que influencia mais? O boca a boca ou a referência especializada? A resposta depende. Ambos influenciam e portanto, fazendo o paralelo, o Google e o Facebook, ou os seus equivalentes, serão complementares.

Tudo se vai jogar na utilização dos nossos dados pessoais. O sistema que souber mais sobre nós é o que vai ter mais poder de influenciar as nossas escolhas. Quanto mais informação nós dermos sobre as nossas preferências literárias, musicais, de lazer, políticas, ou mesmo afectivas e sexuais, mais o “sistema” pode jogar de forma combinatória com esses dados para condicionar aquilo que nos tem a propôr. É o princípio da Amazon, aplicado a todos os aspectos da nossa vida: se gostou disto, talvez goste disto, se as suas variáveis são estas, através de um jogo de algoritmos, poderemos prever que o seu universo será este.
Poderemos antecipar uma vantagem para o Facebook, que parte precisamente da troca de informações mais pessoais, mesmo dando como adquirido que o “eu” que nós apresentamos no Facebook é sempre uma representação mais ou menos encenada de nós. Mas, como o artigo da Wired refere, o desenvolvimento do Facebook, com o aumento da sua massa crítica e a redefinição da sua pesquisa via navegação por sites pessoais, explorando informação personalizada, multiplicando com novas iniciativas – dubbed Facebook Connect and Open Stream, pode ser um território perigoso. Se, como parece inevitável, abrir caminho para uma exploração comercial, através de anúncios dirigidos especificamente a cada pessoa em função das características detectadas, pode tornar-se uma forma de coacção insuportável.
Há um ano, falar do Facebook poderia parecer uma actividade localizada, de nicho, de nerds. Mas hoje em dia a quantidade de informação, actualizações, histórias, votos de parabéns, etc, somados aos uploads de fotos e vídeos, dão números verdadeiramente impressionantes e astronómicos. Segundo um estudo recente, se o Facebook fosse um país, era o quarto país mais populoso do Mundo.
A maneira como nos estamos a relacionar com a informação, o conhecimento e o entretenimento - a maneira como nos estamos a relacionar uns com os outros - está a mudar vertiginosamente.
 

Crónica publicada no Semanário Económico, no dia 12 de Setembro de 2009.



Nuno Artur Silva às 12:53 | link do post | comentar

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