Quarta-feira, 23 de Junho de 2010

Uma breve nota para sinalizar a edição em DVD do Voz. Já aqui escrevi sobre aquele que é um dos projectos que mais gostei de fazer e talvez aquele cujo resultado final mais superou as minhas expectativas. Depois de cinco anos de persistência, foi possível, com o patrocínio da Fundação EDP, a quem quero agradecer - e em particular ao Sérgio Figueiredo e ao José Manuel dos Santos - não só editar o DVD com os 75 clips dos poemas e o making of, mas igualmente fazê-lo no âmbito de uma iniciativa mais vasta que permite oferecer um DVD a todas as escolas secundárias do país e se fazer nessas escolas uma sessão de apresentação e recital com um dos actores do projecto. É o início de uma nova fase para um projecto que começou no programa da RTP em 2005 e que desta maneira não termina na edição do DVD.

Dos 75 clips, já publiquei aqui alguns. Acrescento estes três. O primeiro é um extracto d'A Pluma Caprichosa do Alexandre O'Neill, a quem o Rogério Samora oferece a sua extraordinária voz. O segundo é um poema do Manuel Alegre que, nesta versão, tem uma circunstância muito especial. O Zé Pedro Gomes tinha tido um aneurisma e como tal ficou em risco de perder a memória, o que felizmente não aconteceu. Este é o primeiro trabalho que ele fez depois do acidente. Pareceu-me que não haveria melhor poema para esse regresso do que este, que fala precisamente da memória. A gravação foi feita em casa do Zé Pedro e as fotografias são mesmo fotografias dele. Esta coincidência dá uma autenticidade a esta leitura que nunca deixa de me emocionar de cada vez que a vejo. Por fim, o terceiro poema, Outros Lugares de Jorge de Sena, lido pelo Diogo Infante. Neste caso estamos a pisar o risco. E o Diogo fala disso no documentário do Voz. É um poema sobre o desaparecimento, sobre a morte.  E a opção de o fazer num lar de terceira idade com figurantes reais, eles próprios nessa zona de fronteira que é o fim da vida, está no limite ético do que pode ser filmado. O resultado é, na minha opinião, absolutamente tocante.

A estes três magníficos actores, como a todos os outros que participaram no projecto, à extraordinária equipa de realização e de edição dos Até ao Fim do Mundo, o meu profundo e sincero agradecimento.

Da minha parte, dediquei este trabalho a três amigos infelizmente já desaparecidos: o poeta Al Berto, que lia brilhantemente os seus próprios textos, e com quem organizei muitos recitiais, o Hermínio Monteiro, editor e dinamizador de recitais e encontros, com quem fiz, para a RTP, com a Margarida Gil, uma primeira versão deste Voz, que se chamava Instantes, e por fim o Raul Solnado, que eu tive o prazer de conhecer já no fim da vida dele e que gravou o poema com que fecha o DVD do Voz: Liberdade, de Fernando Pessoa.

 

 




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Nuno Artur Silva às 16:33 | link do post

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