Quinta-feira, 9 de Junho de 2011

Parece uma outra vida. Há vinte e cinco anos, em Junho de 86, publiquei o meu primeiro livro de poemas, Onde o olhar.  Edição de autor, ou quase. A Indício era uma associação cultural que fundei com uns amigos. Os poemas eram uma colecção de textos que vinha a escrever e reescrever desde os meus 17 ou 18 anos, e o livro, para além das influências óbvias e menos óbvias, estava cheio de ligações e organizado de forma a que os poemas pudessem ser lidos individualmente ou em sequência. Isto, claro, achava eu.

O grafismo do livro era para ser inspirado numa colecção da Difel daquele tempo mas acabou, por ingenuidade gráfica e descuido, por ser mesmo copiado. A verdade é que, de tão obcecado que estava com as palavras, as vírgulas, as sequências e os seus múltiplos sentdos, só me apercebi disso quando tinha o livro na mão.

Foi uma edição integralmente paga com o meu primeiro ordenado como professor de liceu. E fui eu que distribuí o livro à consignação de livraria em livraria. E como era tradição nas edições de autor na Feira do Livro de Lisboa lá estive, nesse Verão, a vendê-lo sentado no chão, junto a outros autores.

É tradição envergonharmo-nos ou mesmo renegarmos os nossos primeiros livros. No meu caso não tenho vergonha nenhuma. Não porque ache que era muito bom, mas muito simplesmente porque é o meu primeiro livro. Parece uma outra vida.

 

 

 


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Nuno Artur Silva às 00:20 | link do post

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