Segunda-feira, 13.07.09

Hoje lançamos o DVD da segunda série d'Os Contemporâneos, um projecto que tem sido realmente uma obra colectiva, de autores, actores, produtores, realizadores, editores, e que tenho tido o prazer de dirigir, dentro desse espírito de trabalho de equipa.

Para perceberem o que estou a dizer, este clip começou por ser uma ideia minha, que foi discutida na reunião de autores, o Bruno insistiu, e bem, para que fosse feito com músicos reais, decidimos misturá-los com outros representados pelos actores, o Vitor Elias escreveu a letra a partir da ideia inicial, eu e a Maria João Cruz revimos e o grupo de actores  recriou o espírito do Band Aid e fez esta belíssima performance. Ou seja, aqui como em toda a série d'Os Contemporâneos, o segredo tem sido a contribuição de cada um para o conjunto. Este método colectivo pode gerar um programa formalmente mais errante mas, neste caso, esse lado mais imperfeito está de acordo com o espírito d'Os Contemporâneos.

 

 

Por questões de direitos (musicais) este não se encontra no DVD. Mas temos, por exemplo, este extraordinário dueto, Manuel Marques e Eduardo Madeira, a partir de um texto do Eduardo, por sua vez escrito a partir de uma ideia desenvolvida na reunião de autores:

 

 

E do programa que foi emitido ontem, selecciono este, uma ideia do Vitor Elias escrita por ele próprio e brilhantemente protagonizado pelo Bruno e pela Carla, numa realização e edição que faz o pastiche perfeito do tipo de reportagem citada.

 

O lançamento do DVD é na Fnac do Chiado às 19 horas.


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Nuno Artur Silva às 15:56 | link do post | comentar

Muito antes de começar a escrever sketches para programas humorísticos, muito antes de trabalhar para televisão, comecei por ler poemas em público, em espectáculos ou recitais. A minha estreia foi com 17 anos num espectáculo de poesia surrealista portuguesa, integrado no grupo Mandrágora. O primeiro recital foi à volta da poesia  de Pedro Oom, depois fizemos uma incursão no Frankenstein da Mary Shelley, via versão do The Living Theatre. O terceiro e último recital chamava-se Estrela de Sete Pontas e era a partir da poesia de António Maria Lisboa. Quando começámos, estávamos em 1979, no imediato pós-PREC e eu era um vago anarca, por afinidade poética. Desse tempo só sobrou (felizmente, digo eu) fotografias como esta.

 

À esquerda sou eu e à direita é o Fernando Vendrell, que agora é realizador e produtor de cinema.

 

A verdade é que nunca deixei de fazer experiências de leituras de poemas, ou de textos que não são poemas, em voz alta, misturando-os com projecções de imagens, com música, mais ou menos encenados, com actores, poetas, músicos, artistas...

 

Guardo boa memória deste que fiz com a Alexandra Lencastre e a Anabela Duarte, integrado no Marcía, que organizei com o Hermínio Monteiro da Assírio e Alvim, no final dos anos 80.

 

 

Outro projecto que gostei especialmente de fazer foi o dos Nocturnos, durante três Verões no início dos anos 90, no Jardim Botânico de Lisboa. Sei que tenho fotografias mas não sei onde, espero encontrá-las e fazer uma nota sobre esse projecto.

 

Para além dos recitais ao vivo, fiz par a RTP, com o Hermínio Monteiro e a Margarida Gil, o projecto Instantes, em 1996. Foi um primeiro esboço do Voz, que fizemos, as PF com os Até ao Fim do Mundo, em 2004 e de que tenho dado conta nestas notas.

Aqui fica o primeiro clip que gravámos do Voz, na voz do João Reis. O poema é de João Roiz de Castelo-Branco, século XV, a música é dos Radiohead, século XX para XXI.

 


Mais recentemente montámos o Isto Não É um Recital de Poesia, com o qual fizemos uma pequena digressão. Um dos poemas que líamos era precisamente o "Senhora partem tam tristes", dessa vez com uma base musical de hip hop.
A equipa incluía, para além de mim, o Kalaf, o Rogério Samora, a Sílvia Pfeifer e o António Jorge Gonçalves, que fazia projecção e desenho em tempo real.

 

 

Agora estamos a ensaiar Recital e Tal. Um recital a partir da antologia de textos de humor que eu e a Inês Fonseca Santos fizemos para a Texto Editora. Os actores são o Miguel Guilherme, a Rita Blanco e o Diogo Dória, e o Recital e Tal vai ter a sua estreia no Festival ao Largo, no dia 17 de Julho, às 22 horas, no Largo do São Carlos.
Comecei também esta semana os ensaios de um outro projecto de recital, completamente diferente, desta vez para estrear no âmbito da Experimenta Design 2009. A equipa inclui os actores Marco de Almeida, Rui Morisson e Sandra Celas, novamente o António Jorge Gonçalves e o Armando Teixeira, que vai fazer a música. Vai ter o título "As Passagens do Tempo" e parte de textos desse meu livro, mas não só.


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Nuno Artur Silva às 15:51 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Sexta-feira, 10.07.09

A minha face mais pública, literalmente, é ser todas as semanas o apresentador d'O Eixo do Mal, na Sic Notícias (sábados à meia-noite, domingos às 16h). Um papel que me ficou mais por exclusão de partes do que por convicção. A verdade é que, com o tempo, nos fomos estabelecendo como programa de debate e, de certa maneira, como acontece com os programas de debate que perduram (e o nosso já vai quase com 5 anos), como personas ou personagens de um programa de televisão.

Se, no início, nos colavam mais a uma espécie de remake da Noite da Má Língua, hoje em dia o Eixo é claramente um programa de debate político. Um debate independente, desalinhado, não condicionado por agendas partidárias ou pessoais, e com um estilo de opinião e discussão que não prescinde da ironia e da sátira.

Curiosamente, o Eixo tem sido já de há uns tempos para cá o programa de debate político mais visto no Cabo em Portugal (e não só, se contarmos com a emissão para Angola e para os Estados Unidos).

O meu papel é somente o de distribuidor de jogo mas a verdade é que, para o bem e para o mal, tenho sido cada vez mais abordado com comentários de incentivo ao programa.

Uma das perguntas mais frequentes é sobre a muito elogiada música do genérico. O tema faz parte de um CD antigo, que tenho há muitos anos, e que descobri por acaso. Chama-se Enishie e faz parte do CD Nekonotopia Nekonomania do japonês Seigen Ono. Só pela descrição podem ver que não é fácil de encontrar. Fica aqui o tema completo, por gentileza do Francisco Amaral da Íntima Fracção.

Neko quer dizer gato.

 


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Nuno Artur Silva às 14:00 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Quinta-feira, 09.07.09

Agora que estamos novamente em (pré) campanha eleitoral para as autárquicas e que se multiplicam os planos, debates, discussões e cartas estratégicas (como este em que participei, com muito boa companhia), aqui fica este Plano Estratégico, um fanzine de número único que fiz com o António Jorge Gonçalves para a Câmara Municipal de Lisboa, aquando do Plano Estratégico de 1992, era Presidente da Câmara  Municipal de Lisboa Jorge Sampaio.

Lisboa, a que existe, a que existiu e a que poderia ou pode vir a existir, tem sido uma inspiração para mim, como autor individual, ou para a parceria que tenho tido com o António Jorge Gonçalves. Em 1994, a convite da Lisboa 94, fizemos este À Procura do F.I.M. uma banda desenhada juvenil a partir da ideia e da exposição da Lisboa Subterrânea, que contava as desventuras de uma Bárbara arqueóloga, a viajar na Lisboa de várias épocas.

Para além, claro, das aventuras de Filipe Seems, a nossa trilogia da Lisboa desenhada onde, por exemplo, fantasiávamos um Terreiro do Paço que gostaríamos de propor para juntar aos projectos actualmente em discussão.

 

 

 

Pequenas contribuições para este museu.


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Nuno Artur Silva às 16:00 | link do post | comentar

Quarta-feira, 08.07.09

Agora que o A História Devida tem um novo leitor de histórias, o Dinarte Branco, aqui fica uma nota sobre esse pequeno grande projecto. Tudo começou com o Miguel Guilherme a perguntar-me porque é que não fazíamos aquilo que o Paul Auster tinha feito nos Estados Unidos: um projecto nacional de histórias, lidas pelo próprio Auster na rádio pública americana, e depois editadas em livro (na versão portuguesa "Pensei que o meu pai era Deus", edições ASA. Imediatamente organizámos o projecto nas Produções Fictícias. Convidei a Inês Fonseca Santos para o coordenar e apresentámo-lo à RDP, agora RTP. O Rui Pêgo aceitou imediatamente e o programa estreou-se em formato diário na Antena 1, em Novembro de 2005.

O formato era simples, uma história por dia, enviada por um ouvinte, lida pelo Miguel e comentada por ele e por mim.  A Inês escolhia e editava as histórias que nos chegavam de todo o país. A promoção da Antena 1 era esta.

 

Recebemos centenas de histórias, traçando pouco a pouco um verdadeiro mapa da memória individual dos últimos 50 anos. Histórias de infância, de amores e desamores, da guerra, histórias insólitas, cómicas e dramáticas. Fizemos sessões de leitura ao vivo, sempre muito participadas, em que ficámos a conhecer as caras dos autores de muitas  das histórias, e editámos um livro, também na ASA, com uma belíssima capa do António Jorge Gonçalves.

 

Durante uns tempos o Miguel não pôde gravar e fomos tendo leitores convidados, um por semana. Aqui está uma amostra, num painel que faz de mim o Paulo China d'A História Devida.

 


Com o Rui Morrison

 Com a Ana Bola

Com o José Pedro Gomes

Com o Nuno Markl

Com o David Fonseca

Com o Tiago Rodrigues

Com a Márcia Breia

Com o Diogo Dória

Com o Bruno Nogueira

 

Depois o Miguel regressou e fui eu que saí, ficando unicamente como produtor do programa e passando a Inês a acumular coordenação e comentário às histórias. Entretanto o programa passou a semanal (domingos às 13h). Agora que o Miguel teve de se ausentar de novo por questões profissionais é o Dinarte Branco o novo leitor d'A História Devida. Um digno sucessor do Miguel.

 

Quem quiser pode seguir o História Devida aqui ou aqui. Esperamos ainda desenvolver muito este projecto nacional de histórias. Porque toda a gente tem uma história para contar.


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Nuno Artur Silva às 16:45 | link do post | comentar

Agora que estamos quase a chegar ao fim da terceira série, aqui deixo uma nota sobre Os Contemporâneos. A série de sketches que estamos a fazer para a RTP. Da definição de sketch faz parte a ideia de esboço. E aquilo que temos feito, todas as semanas, é partir da actualidade e criar pequenos esboços com ângulos humorísticos e abordagens que procuramos que sejam, podemos dizer, contemporâneas.

Dos últimos episódios destaco esta versão do Thriller que antecipava duas coisas: primeiro, o regresso dos militantes e clientes do PSD ao primeiro cheiro de poder, segundo, a homenagem pré-póstuma, digamos assim, a Michael Jackson, que morreria na semana seguinte.
   

 


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Nuno Artur Silva às 01:55 | link do post | comentar

Segunda-feira, 06.07.09

É hoje lançado o primeiro volume do DVD do Herman Enciclopédia, com os treze primeiros episódios. O Herman Enciclopédia foi o primeiro programa de televisão da autoria das Produções Fictícias com Herman José. Antes dele tínhamos feito inúmeros sketches e textos de stand up para o Parabéns, nomeadamente as rubricas "Entrevistas Históricas", "Boião de Cultura" e "Herman Zap", bem como diversos programas de rádio que foram um laboratório para a Enciclopédia. Mas foi no Enciclopédia que ganharam forma final e popularidade personagens como o Mike e Melga, o Laurodérmio, os membros do Partido do Norte,  o Felisberto Desgraçado, o Artista Bastos ou o Diácono Remédios.

Um programa que reúne uma grande equipa de actores, onde se destacavam, para além de Herman José, José Pedro Gomes, Miguel Guilherme, Maria Rueff e Joaquim Monchique, entre outros, e uma equipa de autores  a quem Herman deu a liberdade de fazer o que quisessem e onde se incluíam José de Pina, Nuno Markl, João Quadros, Miguel Viterbo, Filipe Homem Fonseca, Rui Cardoso Martins, Maria João Cruz, Eduardo Madeira e Miguel Vital. Para além de mim próprio, que para além de ser director criativo fazia as várias pontes, com Herman e os actores, a produção e a direcção de programas da RTP, dirigida por Joaquim Furtado, que tinha encomendado o programa.

É curioso ver agora a série, doze anos depois, e recordar coisas como esta, uma antiga ideia que eu tinha e que só no Herman Enciclopédia pudemos concretizar, num belíssimo dueto de timing perfeito entre o Herman e o Vitor de Sousa.

Uma nota final para lembrar que as audiências, à época, foram fraquinhas, e que as primeiras críticas ao programa foram arrasadoras. De entre essas, houve uma que não esquecemos pela originalidade. Eduardo Cintra Torres escrevia, a propósito do "Vitor de Sousa Show" que não se percebia a homenagem a Vitor de Sousa no contexto de um programa de humor. E foi na mouche, porque ele nunca percebeu.

 

 


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Nuno Artur Silva às 13:16 | link do post | comentar

Quinta-feira, 02.07.09

A minha estreia profissional como argumentista de televisão aconteceu a convite do José Pedro Gomes e do Miguel Guilherme, em 1990. Tinha de escrever um sketch por semana para o programa do Joaquim Letria. Ao fim de umas semanas o Miguel Guilherme saiu para fazer um filme e deu lugar ao António Feio. Foi aí que começou a dupla Zé Pedro e António, para a qual tive o prazer de ser o primeiro argumentista e com a qual fiz inúmeros trabalhos, em televisão e teatro, quer como argumentista, quer como director criativo ou produtor.

Um dos projectos de que gostei mais foi a série Paraíso Filmes, que fizemos para a RTP. A minha proposta inicial era fazermos uma série sobre o universo dos cursos de auto-ajuda e os livros que ensinam os dez passos para a felicidade. Mas o Zé Pedro e o António não estavam convencidos. Num almoço com o Zé Pedro, o António e o Diamantino Ferreira, que era o produtor, surgiu-me a ideia da Paraíso Filmes, que depois haveria de ser desenvolvida de forma delirante pela equipa de argumentistas, que incluía o Nuno Markl, o Filipe Homem Fonseca, o Eduardo Madeira e o Henrique Cardoso Dias. Foi um relativo flop de audiências mas, com o tempo, tornou-se uma série de culto. Nunca será editado em DVD, por questões relacionadas com os direitos de autor das músicas. A PFtv, em colaboração com a RTP, abriu um canal onde os episódios podem ser vistos. É aqui.

 

Sugiro que comecem por este.

 

 

Julgo que este é o meu favorito.

 


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Nuno Artur Silva às 16:48 | link do post | comentar

Sábado, 13.06.09

Mais dois Pessoas na Voz de dois músicos. Rui Reininho de trás para a frente: Somos contos contando contos. E David Fonseca em jam session com o guardador de rebanhos conceptual. No dia dos 121 anos de Santo (Fernando) António.




 

 


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Nuno Artur Silva às 00:00 | link do post | comentar

Segunda-feira, 01.06.09

Este é especial. E é na mouche do dia. O mestre Raul Solnado a proclamar a Liberdade com as palavras do Pessoa.

 


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Nuno Artur Silva às 09:00 | link do post | comentar


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