Quarta-feira, 03.11.10

O Joaquim Letria foi convidado esta semana do programa Show Markl, no nosso Canal Q. Por causa disso descobri, por coincidência, que fez exactamente nessa semana 20 anos que eu me estreei como autor de sketches de humor para televisão. O programa chamava-se exactamente Joaquim Letria, passava na RTP 2, às quartas-feiras, era produzido pelo José Nuno Martins, pelo Thilo Krassman, pelo Fialho Gouveia e pelo Vitor Mamede, nos estúdios Edipim. O realizador era o António Carlos Rebesco, mais conhecido como Pipoca. A dupla que me convidou para escrever (na sequência de uma sugestão do José Nuno Martins) não podia ser melhor: José Pedro Gomes e Miguel Guilherme. O Miguel acabaria por sair ao fim de dois meses e picos, para fazer um filme, e foi substituído pelo António Feio, com quem o Zé Pedro só tinha trabalhado uma vez, num programa com outros actores (Clubíssimo), mas com quem o Zé Pedro me dizia ter a sensação de poder vir a fazer uma grande dupla. Recupero aqui, de umas gravações caseiras em VHS, os primeiros sketches que fiz para eles e para televisão. Como por exemplo, esta entrevista a um ponto chamado Rebuçado.

 

(http://videos.sapo.pt/2fBVW6bnChpEcltvtisR)

 

Jornal da Quarta

 

(http://videos.sapo.pt/VeiuoBZoOdPzIYoyMVDO)

 

O formato de jornal foi, claro, desde a primeira hora, um formato irresistível, o equivalente, em humor, àquelas figuras da ginástica obrigatória. Aqui decidimos chamar ao pivot Fernão Capelo Gaivota, não me perguntem porquê.

 

Entrevista ao inventor do comando de emoções

 

(http://videos.sapo.pt/grCVHHZ6ZaTEFms8jdek)

 

Curiosamente a ideia de um comando de pessoas (ok, com variações) viria a dar um blockbuster com o Adam Sandler uns anos depois. Devia ter registado, estes americanos estão-me sempre a roubar ideias...

 

Tempo de Antena das Minorias

 

 

(http://videos.sapo.pt/uLE6AQcVQGsrhg0EaS6o)

 

 

 

(http://videos.sapo.pt/ZqPazlZGw6jUhMJGs4Sy)

 

Este foi o formato com que o António Feio se estreou em dupla com o Zé Pedro, para nunca mais se separarem. Um dos mais estimulantes casamentos artísticos do teatro e do humor em Portugal. Foi um privilégio ter sido o padrinho.

 

Toino, cantor pimba minimalista

 

 

 

(http://videos.sapo.pt/7oIiSzP2l5JZbCSfJAgB)

 

Lembro-me que este Toino e o seu agente T.S. Meireles nos deram particular gozo. Reparem, por outro lado, como tudo isto era feito com público ao vivo em mesas, orquestra e gravação live on tape. O visual e o estilo da época, só por si, acabam por vezes por ter mais graça que os sketches. Isto vai voltar a acontecer daqui a 20 anos quando olharmos para o nosso trabalho de hoje.

 

Jornal da Quarta

 

 

 

(http://videos.sapo.pt/rOwzUstBvHmWrg9tJMrt)

 

Aqui, um novo Jornal da Quarta, já com António Feio.

 

Lembras-te?

 

 

 

(http://videos.sapo.pt/B4ss3uQIVCOGkTeeVBmQ)

 

A fechar, este sketch já gravado no início de 1991, cheio de fumo de cigarros e nostalgia. Um de que o António gostava particularmente, aliás acho que era um dos nossos preferidos, do Zé Pedro e meu também.

 

20 anos.


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Nuno Artur Silva às 13:52 | link do post

Quarta-feira, 23.06.10

Uma breve nota para sinalizar a edição em DVD do Voz. Já aqui escrevi sobre aquele que é um dos projectos que mais gostei de fazer e talvez aquele cujo resultado final mais superou as minhas expectativas. Depois de cinco anos de persistência, foi possível, com o patrocínio da Fundação EDP, a quem quero agradecer - e em particular ao Sérgio Figueiredo e ao José Manuel dos Santos - não só editar o DVD com os 75 clips dos poemas e o making of, mas igualmente fazê-lo no âmbito de uma iniciativa mais vasta que permite oferecer um DVD a todas as escolas secundárias do país e se fazer nessas escolas uma sessão de apresentação e recital com um dos actores do projecto. É o início de uma nova fase para um projecto que começou no programa da RTP em 2005 e que desta maneira não termina na edição do DVD.

Dos 75 clips, já publiquei aqui alguns. Acrescento estes três. O primeiro é um extracto d'A Pluma Caprichosa do Alexandre O'Neill, a quem o Rogério Samora oferece a sua extraordinária voz. O segundo é um poema do Manuel Alegre que, nesta versão, tem uma circunstância muito especial. O Zé Pedro Gomes tinha tido um aneurisma e como tal ficou em risco de perder a memória, o que felizmente não aconteceu. Este é o primeiro trabalho que ele fez depois do acidente. Pareceu-me que não haveria melhor poema para esse regresso do que este, que fala precisamente da memória. A gravação foi feita em casa do Zé Pedro e as fotografias são mesmo fotografias dele. Esta coincidência dá uma autenticidade a esta leitura que nunca deixa de me emocionar de cada vez que a vejo. Por fim, o terceiro poema, Outros Lugares de Jorge de Sena, lido pelo Diogo Infante. Neste caso estamos a pisar o risco. E o Diogo fala disso no documentário do Voz. É um poema sobre o desaparecimento, sobre a morte.  E a opção de o fazer num lar de terceira idade com figurantes reais, eles próprios nessa zona de fronteira que é o fim da vida, está no limite ético do que pode ser filmado. O resultado é, na minha opinião, absolutamente tocante.

A estes três magníficos actores, como a todos os outros que participaram no projecto, à extraordinária equipa de realização e de edição dos Até ao Fim do Mundo, o meu profundo e sincero agradecimento.

Da minha parte, dediquei este trabalho a três amigos infelizmente já desaparecidos: o poeta Al Berto, que lia brilhantemente os seus próprios textos, e com quem organizei muitos recitiais, o Hermínio Monteiro, editor e dinamizador de recitais e encontros, com quem fiz, para a RTP, com a Margarida Gil, uma primeira versão deste Voz, que se chamava Instantes, e por fim o Raul Solnado, que eu tive o prazer de conhecer já no fim da vida dele e que gravou o poema com que fecha o DVD do Voz: Liberdade, de Fernando Pessoa.

 

 




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Nuno Artur Silva às 16:33 | link do post

Sexta-feira, 31.07.09

Este domingo a RTP1 exibe o último episódio da terceira série d’Os Contemporâneos. Para a semana haverá os habituais best ofs e bloopers e depois férias.
Ironicamente, em Setembro, a maioria os actores d’Os Contemporâneos estará a fazer clássicos. Sketches de Aristófanes encenados por Luís Miguel Cintra, no Teatro São Luiz. Novos Contemporâneos, a haver, só em 2010. Quem quiser rever, tem as duas primeiras séries em DVD ou o site da série, aqui, onde se encontram sketches como este, da semana passada, sobre as tendências deste Verão da programação portuguesa.

 

 

Aproveito aqui o fim da terceira série d’Os Contemporâneos para fazer um flashback a outras séries de humor para as quais fiz direcção criativa ou geral. A primeira foi esta, que saiu agora em DVD. Este extracto inclui uma interpretação melancólica do conceito “25 de Abril Sempre”, que eu propus e que o Miguel Guilherme brilhantemente interpreta. É logo a seguir à delirante interrupção do frenético Joaquim Monchique na pele de um contestatário da alienação televisiva, que consegue uma surpreendente adesão dos entertainers a partir do momento em que transforma o manifesto num refrão vagamente cantável.

 

 

Sobre este segmento, escrito pelo Rui Cardoso Martins e o José de Pina, a partir de um conceito desenvolvido pela equipa de autores, em brainstorming: um grupo de conspiradores do Norte que quer fazer uma Expo97 antes da Expo98 de Lisboa, uma nota só para dizer que quando o imaginámos sempre pensámos que devia ser representado de maneira sóbria, no estilo do Yes, Minister. Quando o Herman dirigiu os actores (um quarteto irrepetível – Zé Pedro, Miguel, Rueff e o próprio Herman) numa linha radicalmente oposta, tipo Irmãos Marx ou Benny Hill, ficámos em estado de choque. É claro que, depois de ver, imediatamente concordámos que a versão dele era muito melhor e resulta de forma hilariante.

 

 

Polaroid da época, com a equipa de autores:


Em 2001 e 2002, quase em simultâneo, no mesmo estúdio mas para canais diferentes, fizemos duas séries que não sendo um êxito de audiências, muito pelo contrário, mas por razões diferentes, acabaram ambas por se tornar séries de culto. Primeiro, a Paraíso Filmes, de que já fiz referência aqui. Depois o Programa da Maria. É curioso, retrospectivamente, ver a evolução de algumas ideias de uns programas para os outros, ver como as equipas de autores se vão misturando, bem como observar a passagem de alguns actores de uns elencos para os outros.

 

Da Paraíso Filmes deixo aqui o link para o Agente L123, um agente secreto nacional que actua na Coroa de acção do passe social L123, e para o Shôr Anibal, que não tem nada a ver com o filme americano Hannibal, sobre um psicopata que é um grande malandro.

 

Do Programa da Maria deixo aqui um sketch que explica aos jovens o que é um livro e que tem a curiosidade de ser a primeira vez que actuaram em dupla o Nuno Lopes com a Maria Rueff, para além do jovem ser figurado pelo Pedro Tochas, que teve nesta série uma das suas raras presenças televisivas.



 

E este, com a popular Dona Rosete e a sua pregação sobre as virtudes da programação televisiva.



 

Finalmente, a estreia do grupo Manobras de Diversão. Vídeo gravado pela equipa dos Até ao Fim do Mundo (que agora realiza e edita os Contemporâneos) na Feira do Livro de Lisboa, com a estreia do Bruno Nogueira, em interacção com transeuntes reais, e depois com o Marco Horácio como speaker da feira. Nunca foi emitido, existe em DVD como parte integrante do livro Manobras de Diversão, da Oficina do Livro.

 


 

 

 

 

As Manobras de Diversão incluíam, para além do Bruno Nogueira e do Marco Horácio, o Manuel Marques e as actrizes Carla Salgueiro, Sofia Grilo e Sandra Celas. Para além da nossa muito especial figurante e contra-regra Ana Ribeiro. Um dos sketches mais populares era esta muito especial boys band, onde a química entre os três actores estava ao rubro, por assim dizer.

 


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Nuno Artur Silva às 13:14 | link do post | comentar

Sábado, 13.06.09

Mais dois Pessoas na Voz de dois músicos. Rui Reininho de trás para a frente: Somos contos contando contos. E David Fonseca em jam session com o guardador de rebanhos conceptual. No dia dos 121 anos de Santo (Fernando) António.




 

 


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Nuno Artur Silva às 00:00 | link do post | comentar

Sexta-feira, 29.05.09

Quando fizemos o Voz, a Clara Ferreira Alves era a directora da Casa Fernando Pessoa e propôs-nos fazermos uma série de clips só com poemas do Pessoa, que a RTP emitiu na semana de aniversário do poeta. Um deles era este, de Álvaro de Campos, aqui dito pela extraordinária Voz do Rui Morrison.

 


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Nuno Artur Silva às 09:00 | link do post | comentar

Terça-feira, 26.05.09

Aqui fica mais um videoclip da série Voz. O poema é do Paulo Leminski e foi sugerido pelo próprio Kalaf. Um poema leva anos.

 


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Nuno Artur Silva às 16:19 | link do post | comentar

Sexta-feira, 15.05.09

Uma vez, em conversa com o professor Ivo de Castro, fiquei a saber que o português do tempo de Camões, com as suas vogais mais abertas, estaria mais próximo do actual brasileiro do que do português actual. Foi nisso que pensei quando desafiei a Sílvia Pfeifer para ler este soneto tão tão conhecido.

É uma das mais belas versões que eu já ouvi deste soneto, na musicalidade do sotaque e da voz da Sílvia, e na forma despojada e simples como ela o diz. Aliás a Sílvia acabou por participar em vários dos "Isto Não é Um Recital de Poesia", uma série de recitais que fomos fazendo nos últimos anos, e revelou-se uma leitora absolutamente brilhante na sua elegância musical.

  

       

 


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Nuno Artur Silva às 15:00 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Quinta-feira, 14.05.09

De todos os muitos projectos de televisão que fiz ou em que participei este é dos que gosto mais (este é mesmo o que gosto mais?).
O ponto de partida era simples: não se tratava de fazer um programa de poesia, tratava-se de partir dos poemas para fazer, digamos, um videoclip. Depois de escolher os poemas e os actores, discutia com a equipa dos Até ao Fim do Mundo os locais e o contexto e eles depois filmavam e editavam, devo dizer, de forma brilhante, com a direcção do Ricardo Freitas. Foi um projecto que a RTP pagou e exibiu, com o apoio da Fundação Luso-Brasileira e da Casa Fernando Pessoa.

Enquanto não conseguimos (mas bem que temos tentado) a edição em DVD, aqui os vou postando. O primeiro é uma interpretação genial do Miguel Guilherme, ao espelho, de um poema de Sá de Miranda.
“De que me valerei / Se a alma não vale?”
 

 

 

 


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Nuno Artur Silva às 18:17 | link do post | comentar | ver comentários (2)


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